Além da concentração geográfica, a Lei Rouanet revela um perfil específico de quem executa a cultura no Brasil. Segundo o relatório de Impacto Econômico 2024, a vasta maioria dos projetos incentivados é gerida por Pessoas Jurídicas (86,7%), enquanto artistas individuais (Pessoas Físicas) representam apenas 13,3% das propostas executadas. O cenário aponta para uma profissionalização do setor, onde produtoras e instituições culturais consolidadas lideram a captação de recursos.
O domínio das organizações (ONGs, fundações e produtoras) sobre os proponentes individuais reflete a complexidade do mecanismo de incentivo, que exige prestação de contas rigorosa e capacidade de negociação direta com patrocinadores.
No entanto, o impacto social dessas organizações é vasto: os projetos analisados foram responsáveis por manter 228.625 postos de trabalho diretos e indiretos em 2024. A pesquisa destaca que a cultura não apenas emprega artistas, mas movimenta uma cadeia que inclui técnicos, seguranças, transportadores e o setor de serviços.
Quando o assunto é a eficiência do investimento, o segmento de Museus e Memória isola-se na liderança. Para cada R$1,00 investido em um museu ou projeto de preservação histórica, a economia recebe de volta R$12,00.
Este fenômeno ocorre porque museus funcionam como âncoras turísticas, atraindo gastos adicionais em alimentação, transporte e hospedagem que superam o custo direto da exposição.
Um dado que redefine o perfil do proponente moderno é a capacidade de “alavancar” recursos extras. O relatório mostra que os produtores não dependem exclusivamente da renúncia fiscal. Em 2024, os projetos beneficiários conseguiram captar R$ 579,5 milhões de outras fontes (patrocínios diretos ou venda de ingressos) e geraram R$ 151,3 milhões em receitas próprias.
