Costas largas da Lei Rouanet: Lei de Incentivo vira alvo de fake news (de novo)

Parece que espalhar desinformação da Lei Rouanet virou um ciclo intermitente no país. Esses movimentos, geralmente inflados por grandes momentos da cultura, como a vitória do filme “O Agente Secreto” no Globo de Ouro, no último dia 11, trazem à tona um perigo iminente para o mercado que mais cresce no Brasil no período pós-pandemia. A falta de informação confiável sobre o assunto. 

Promulgada em 1991, a Lei Rouanet sempre foi objeto de ataque por parte de políticos mais conservadores, que temem o sucesso dos projetos culturais que geralmente questionam ações e políticas dos governantes. Desde o início do governo Lula 3 (2023), a Lei tem acumulado recordes orçamentários e desde o ano passado tem colhido os frutos disso. 

Embora as produções cinematográficas de longa metragem, como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” não recebam investimentos da Lei, o orçamento maior para outras artes permite aquecer o mercado, fato que trouxe o último relatório divulgado pelo Ministério da Cultura (MIC) na última semana. 

A cada R$1 investido na Lei, gerou R$7,59 na economia brasileira. Ao fim de 2024, conforme apurado pelo Folhetim, foram movimentados R$25,7 bilhões.

Com o sucesso do filme “O Agente Secreto” de Kleber Mendonça Filho, a internet foi pulverizada de informações inverídicas sobre o uso da Lei Rouanet na produção do longa. Conforme Decreto nº 11.453/2023 (que regulamenta as leis de fomento) e as Instruções Normativas do Ministério da Cultura deixam claro que projetos cujo objeto principal seja a produção de obras cinematográficas de longa-metragem para circuito comercial devem ser direcionados à Ancine (Agência Nacional do Cinema), através da Lei do Audiovisual (Lei nº 8.685/93). 

Uma reportagem de 2024 do Folhetim explica os detalhes do funcionamento da Lei Rouanet no Brasil. Consulte aqui. Para quem deseja consultar o valor em tempo real de cada projeto, o portal Salic é gratuito e pode ser consultado a qualquer momento por qualquer cidadão.

Recentemente, a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas divulgou um relatório completo em escala nacional de quais estados receberam mais incentivos. São Paulo fica em primeiro lugar com mais de 30%, seguido de  Minas Gerais (12,17%) e Rio Grande do Sul (12,4%). Os demais estados são:  Espírito Santo (1,82%), Rio de Janeiro (11,60%), Pará (1,15%), Santa Catarina (7,41%), Paraná (8,54%), Rio Grande do Norte (0,32%), Paraíba (0,47%), Ceará (3,00%), Piauí (0,30%), Pernambuco (1,82%), Alagoas (0,14%), Sergipe (0,18%), Rondônia (0,10%), Acre (0,04%), Roraima (0,02%), Amapá (0,04%), Amazonas (0,32%), Maranhão (1,13%), Mato Grosso (0,49%), Mato Grosso do Sul (0,22%), Goiás (0,83%), Tocantins (0,16%), Bahia (1,82%), Federal District (1,32%).

Ao todo foram renunciados em 2024 R$2,5 bilhões, o que não é nada se comparado com o agronegócio que renunciou cerca de R$56 bilhões que não recebe a mesma atenção e crítica que a cultura. Os dados ainda mostram uma alarmante desigualdade nos projetos arrecadados, visto que o Sudeste detém 57,32% sozinho, enquanto o Norte e Nordeste juntos chegam apenas a 12%.

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