O drama histórico “Hamnet” (no Brasil, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”) confirmou seu favoritismo absoluto ao conquistar o prêmio de Melhor Filme de Drama no Globo de Ouro 2026. Dirigido pela vencedora do Oscar Chloé Zhao, o longa-metragem superou uma concorrência acirrada que incluía o brasileiro “O Agente Secreto”, além de “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, e o suspense “Sinners”. A vitória solidifica a produção como a principal força para o Oscar deste ano, unindo o prestígio da crítica a uma narrativa emocionalmente devastadora sobre a vida familiar de William Shakespeare.
A conquista na categoria principal é o auge de uma trajetória iniciada no final de 2025, quando o filme se tornou o favorito da crítica especializada. Antes de vencer o Globo de Ouro, “Hamnet” já havia sido eleito o Filme do Ano pelo AARP Movies for Grownups Awards e figurado no prestigiado Top 10 do American Film Institute (AFI). A produção também dominou as indicações do London Critics’ Circle e da Alliance of Women Film Journalists, onde Chloé Zhao recebeu o prêmio de Melhor Diretora e Jessie Buckley o de Melhor Atriz, repetindo o feito na cerimônia de ontem ao levar o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama.
Baseado no best-seller de Maggie O’Farrell, o enredo foca na figura de Agnes Shakespeare (Buckley) e sua luta para lidar com a perda do filho Hamnet para a peste bubônica em 1596. O filme explora como esse luto privado serviu de combustível criativo para a obra mais famosa do dramaturgo, Hamlet. Além da direção contemplativa de Zhao, o longa destaca-se pelas atuações de Paul Mescal, como William Shakespeare, e Emily Watson, em um papel coadjuvante também muito premiado. O Brasil, representado por “O Agente Secreto”, disputava a mesma categoria em um feito raro para o cinema nacional, mas, embora não tenha levado o prêmio principal de drama, saiu vitorioso em Melhor Filme Internacional e Melhor Ator.
Com seis indicações ao Globo de Ouro e vitórias em categorias-chave (Filme, Direção e Atriz), “Hamnet” agora segue para o Oscar como o título a ser batido. O filme acumulou até o momento cerca de 30 prêmios em festivais e associações de críticos, destacando-se não apenas pelo roteiro adaptado, mas também pela fotografia de Łukasz Żal e a trilha sonora de Max Richter. A produção da Amblin Partners, de Steven Spielberg, demonstra o vigor das cinebiografias que fogem do óbvio, focando mais na subjetividade feminina e no impacto do luto do que na cronologia tradicional do bardo inglês.
