No panteão dos grandes diretores contemporâneos, poucos nomes evocam tanto respeito quanto o de Paul Thomas Anderson. Na noite deste domingo (4), o cineasta consolidou ainda mais sua lenda ao conquistar o prêmio de Melhor Direção no Critics Choice Awards 2026 por seu épico de ação e comédia “Uma Batalha Após a Outra” (One Battle After Another). Além da direção, Anderson também levou a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado, tornando-se o grande arquiteto da noite.
Inspirado livremente no livro Vineland, de Thomas Pynchon, o filme é descrito como o projeto mais ambicioso e “comercial” da carreira do diretor. A trama acompanha Bob Ferguson (vivido por Leonardo DiCaprio), um ex-revolucionário que vive em um estado de paranoia e isolamento até que sua filha desaparece, forçando-o a confrontar fantasmas de seu passado militante. A vitória de Anderson celebra sua habilidade única de fundir o caos de perseguições de carro alucinantes com a profundidade psicológica que é sua marca registrada.
Uma trajetória de prêmios e obsessões
Paul Thomas Anderson, carinhosamente chamado de PTA pelos cinéfilos, não é estranho ao palco das premiações. Nascido na Califórnia em 1970, ele emergiu nos anos 90 como um prodígio autodidata que desistiu da escola de cinema após apenas dois dias. Desde então, acumulou 11 indicações ao Oscar e vitórias nos três maiores festivais do mundo:
Cannes: Melhor Diretor por Embriagado de Amor (2002).
Berlim: Urso de Ouro por Magnólia (1999) e Urso de Prata por Sangue Negro (2007).
Veneza: Leão de Prata por O Mestre (2012).
Sua filmografia é um mapa das obsessões americanas — do auge da indústria pornográfica em “Boogie Nights” (1997) à ganância do petróleo em “Sangue Negro” (2007). PTA é conhecido por parcerias icônicas, tendo extraído atuações definitivas de gigantes como o falecido Philip Seymour Hoffman e o lendário Daniel Day-Lewis.
Vida Pessoal e Estilo
Reservado em sua vida pessoal, Anderson vive em Los Angeles com sua parceira de longa data, a atriz e comediante Maya Rudolph, com quem tem quatro filhos. Essa conexão com o mundo da comédia parece ter florescido em seus trabalhos mais recentes, como o solar “Licorice Pizza” (2021) e agora no tom satírico e explosivo de “Uma Batalha Após a Outra”. Seu cinema é caracterizado pelo uso de planos-sequência virtuosos, trilhas sonoras marcantes (muitas vezes compostas por Jonny Greenwood, do Radiohead) e uma exploração profunda de figuras paternas e famílias disfuncionais.
Com a vitória de ontem, Paul Thomas Anderson entra na reta final para o Oscar como o homem a ser batido. “Uma Batalha Após a Outra” prova que, mesmo aos 55 anos e com uma carreira irretocável, o diretor ainda é capaz de surpreender, reinventar gêneros e, acima de tudo, comandar a tela com uma maestria que poucos em Hollywood sequer ousam tentar.
