“Adolescência” vence o Critics Choice Awards em Melhor Série Limitada

Na noite deste domingo (4), a 31ª edição do Critics Choice Awards confirmou o que a crítica especializada e o público já vinham ecoando desde o início do ano passado: “Adolescência” (Adolescence), a visceral minissérie da Netflix, é o maior fenômeno televisivo da atualidade. A produção britânica não apenas levou o troféu de Melhor Série Limitada, como também dominou as categorias de atuação, consolidando uma trajetória que começou com aclamação total em sua estreia em março de 2025.

Criada por Stephen Graham e Jack Thorne, a obra se destaca por uma escolha técnica audaciosa que potencializa sua carga emocional: cada um de seus quatro episódios foi filmado inteiramente em plano-sequência. Esse recurso, longe de ser um mero artifício visual, mergulha o espectador de forma claustrofóbica no drama de Jamie, um garoto de 13 anos acusado de um crime brutal. A vitória no Critics Choice reforça o prestígio da série, que já havia saído como a grande vencedora do Emmy no ano anterior.

A consagração da noite se estendeu ao elenco. Stephen Graham reafirmou seu status como um dos melhores atores de sua geração ao vencer na categoria de Melhor Ator em Série Limitada. No entanto, o momento mais emocionante da cerimônia foi a vitória do jovem Owen Cooper, de apenas 16 anos, como Melhor Ator Coadjuvante. Cooper, que interpreta o protagonista Jamie, superou nomes veteranos — incluindo o brasileiro Wagner Moura, indicado por Ladrões de Drogas — e foi aplaudido de pé por sua interpretação crua de um jovem tragado pelo sistema judiciário e pelas pressões da era digital. Erin Doherty também foi premiada como Melhor Atriz Coadjuvante, fechando a “trinca” de atuação para a série.

O impacto de “Adolescência” vai além dos troféus. A série tornou-se um marco cultural ao abordar, sem didatismos, temas urgentes como a cultura incel, o impacto da misoginia online e a fragilidade da infância contemporânea. Para os críticos da Critics Choice Association, a vitória representa o reconhecimento de uma televisão que ousa no formato e não foge de discussões sociais espinhosas. Com um roteiro que evita respostas fáceis e uma direção assinada por Philip Barantini que mantém a tensão no limite, a série deixou de ser apenas um sucesso de algoritmo para se tornar um clássico instantâneo do streaming.

O sucesso estrondoso já levanta especulações sobre o futuro da marca. Embora tenha sido concebida como uma série limitada, Graham e Thorne já sinalizaram em entrevistas recentes que a antologia pode retornar com uma nova história, mantendo o estilo de filmagem em tempo real que se tornou sua assinatura.

Assista ao trailer da minissérie:

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